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Formas e interfaces do urbano: sentido do lugar na cidade pós-moderna

Formas e interfaces do urbano: sentido do lugar na cidade pós-moderna

XV Ciclo de estudos sobre o imaginário - Congresso internacional - Fórum temático IX - Terreno e arquitetura, uma simbiose entre o ser e o mundo. Recife, Brésil décembre 2008


Introdução

As atuais relações travadas no espaço e seu simbolismo dão à cidade uma nova centralidade na cena pós-moderna, na qual os elementos e processos travados no espaço ganham outros valores. Observamos novas formas de construir e viver a cidade que passam, por exemplo, pela elaboração da arquitetura como pele simbólica, pelas práticas de re-interpretação dos lugares, e pela combinação das dinâmicas sócio-espaciais com as novas tecnologias de comunicação e de informação.

A cidade pós-moderna atravessa uma fase de transfiguração que, para ser posta em valor e dar um sentido a sua constante evolução, necessita, fazendo referência a Foucault, da elaboração de uma “ontologia da atualidade”. Saber ver para tentar compreender os diversos elementos que caracterizam a nova cena urbana do ponto de vista da materialidade da cidade física e da sensibilidade da experiência estética. Uma espécie de equilíbrio entre “cityscape” e “mindscape” que designa a forma atual da cidade, entre o banal do espaço construído e o particular do imaginário urbano.   

A cidade contemporânea, complexa e multifacetada, constrói-se através de lugares diversos, cujo caráter é determinado tanto pela qualidade da sua estrutura físico-espacial quanto pela experiência subjetiva que ele proporciona. As formas de apropriações dos espaços, outro fator que reflete na imagem do lugar, atualmente incluem práticas diversas, desde o consumo às ocupações efêmeras, como das tribos urbanas. Outros exemplos são as apropriações de caráter subversivo das pichações; de caráter histórico-cultural na delimitação de ilhas de centro histórico; étnico-cultural nos guetos; ou sócio-econômicas nos condomínios residenciais e shopping centers. Esses dois últimos exemplos caracterizam ilhas urbanas da pós-modernidade segundo Ricardo Freitas (1996), ou super-lugares (AAVV, 2007), como novas modalidades de concepção arquitetônica do espaço e de formas-simbólicas da cidade-comunicação ou, usando a expressão de Massimo Canevaci (1993), da cidade polifônica.

A difusão das tecnologias de informação e comunicação no cotidiano social também veio a contribuir com esse processo de redefinição dos lugares. O uso das tecnologias digitais sob forma de aparelhos portáteis e ambientes conectados vem a se combinar com as práticas cada vez mais numerosas de deslocamentos na cidade. Constrói-se assim a imagem de um espaço descontínuo e fragmentado, que nos leva a re-pensar os territórios e a importância dos espaços de conexão. Segundo Bruno Marzloff (1996), se o território perde em continuidade geográfica, a cidade reencontra sua unidade a través das redes de deslocamentos e de telecomunicações.

Novos programas e edificações são elaborados para corresponder às dinâmicas das multidões móveis e inteligentes: trata-se de estações de serviços (select, outlet), gares, aeroportos, centros comerciais, hipermercados, hotéis. Esteticamente, essas edificações apresentam as mais diversas expressões segundo seus volumes e fachadas, pontuando o território enquanto formas arquiteturais particulares e como rede, pois passam a fazer parte de uma conexão de espaços que servem aos agrupamentos sociais efêmeros e cada vez mais numerosos. Dentro dessa rede de práticas e de espaços interconectados, os lugares são, assim, redefinidos.

Segundo Marc Augé (1992) os exemplos que acabamos de apresentar correspondem a espaços individualizados e estritamente funcionais, ou seja, a “não-lugares”. Sua principal particularidade é servirem principalmente de passagem e/ou de consumação cultural, tomando a cidade sob forma de espetáculo ou museu. Segundo Augé, essas novas práticas e espaços contemporâneos empobrecem a experiência da cidade por meio da experiência do vagar despretensioso, da apreensão visual, do encontro, do imprevisto e mesmo da descoberta do gênio do lugar. Ao constatar a perda de “lugares antropológicos”, Augé estaria provavelmente se referindo ao possível desaparecimento de uma “atmosfera local” que serve de traço unificador do social ao espacial. No entanto, o pensamento de Pierre Sansot (1996) nos mostra que dentro de uma apreensão poética e sensível podemos ainda apreender certos lugares da cidade contemporânea.

Para o arquiteto Christian Norberg-Schulz (1996), dizer que um espaço é desprovido de caractere significa que sua atmosfera particular não é reconhecida. No entanto, a interpretação que faz o arquiteto em torno do genius loci é que “cada época revela certas qualidade do lugar e sombreia outras” (op.cit, p.56). Nossa intenção aqui é de tentar identificar que novas qualidades do lugar são hoje reveladas. No momento atual, em que a arquitetura real, a rede virtual e novas práticas sociais parecem se fundir, precisamos elaborar novas configurações do lugar no território. Para tanto, partiremos de algumas acepções definidoras da essência do lugar e de exemplos recentes de práticas sociais do espaço e da arquitetura, analisados à luz dessas teorias e do pondo de vista das suas relações com as novas tecnologias de comunicação e informação.

Lugar

De maneira geral, os espaços definem-se como lugares por meio da perspectiva singular da experiência do ambiente físico. Além disso, os lugares são espaços que têm capacidade de simbolização e possuem uma “aura de identidade”. Desse modo, normalmente eles são definidos por uma história social, cultural ou política, associados a um espaço determinado, seja geometricamente, seja por seus elementos físicos.

Para o geógrafo Yi-fu Tuan (1997), o lugar é identificado pela experiência sensível e estética. Sua percepção compreende, num primeiro momento, a sensação por meio dos sentidos – cheiro, toque, percepção visual – e num segundo momento a concepção e simbolização, ou seja, uma construção mental. Desse modo, a experiência do lugar corresponde tanto às emoções que suscitam o espaço quanto às suas qualidades espaciais e ao seu entendimento. Dentro desse processo, destaca-se a experiência visual.

A imagem do espaço é uma construção mental que associa os elementos concretos à experiência subjetiva, o que inclui a experiência sensitiva e a memória. Enquanto combinação de espaço construído e espaço vivido, os lugares adquirem sentidos e imprimem significado ao grupo que o habita. Essa relação nos permite pensar o espaço voltado para a idéia de existência, o lugar como sinônimo de “estar no mundo”, fazendo uso aqui do princípio formulado por Augustin Berque (2000): “o ser humano é um ser geográfico”.

A construção dos lugares se dá pela experiência subjetiva, mas é principalmente pela apropriação coletiva que eles são reconhecidos. Segundo Maffesoli (1990), a cidade é caracterizada por ser um espaço sensível, essencialmente relacional, onde circulam as emoções, os afetos e os símbolos partilhados coletivamente. As emoções da vida social ou da vida espiritual se associam intimamente às dimensões do espaço vivido, pois constituem “um fio vermelho que delimita o ‘gene do lugar’ (genius loci) (...). A inscrição espacial é uma verdadeira memória coletiva” (op.cit. p.210) e o lugar é considerado como um ‘vetor do estar junto social’.

No que se refere ao genius loci, Maffesoli destaca que é a atmosfera do lugar, dada pela sua vivência emocional, que os transforma em lugares conhecidos. É desse ponto de vista que Maffesoli vê delimitados os lugares: a partir das práticas e apropriações das “comunidades estéticas”, mesmo que momentaneamente. Uma vez delimitados, esses lugares tornam-se emblemáticos da cidade e para as comunidades, pois servem de fonte para a banalidade da vida cotidiana e aos momentos de identificação, de encontro, de contato direto com o próximo e no presente.

O terreno da informação ambiente

As diferentes figurações do lugar definem um processo complexo que, segundo Norberg-Schulz, “não pode ser reduzido a um comportamento motor, uma impressão sensorial, uma experiência emocional ou uma compreensão lógica, ele abarca todas essas dimensões” (op.cit. p.59). Se considerarmos as dinâmicas sócio-espaciais contemporâneas “pertencemos com certeza a um dado lugar, mas nunca de maneira definitiva” (MAFFESOLI, 1990, p.217).

Depois de apresentados brevemente alguns dos elementos que imprimem o caráter do lugar, observaremos agora como as estruturas espaciais informativas espalhadas na cidade contribuem com a redefinição desse caráter nos dias de hoje. Observaremos a formação de novos espaços caracterizados por uma informação ambiente, ou ubimedia segundo Greenfield (2006), presente tanto nas estruturas comunicantes - como painéis digitais, fachadas eletrônicas, estações de conexão e terminais de serviços digitais -, quanto nos objetos cotidianos - como o telefone celular, o GPS, o computador de bolso ou PDA -, e invisivelmente, nos territórios servidos pela conexão sem fio - wifi ou bluetooth. Tal infiltração tecnológica afeta de maneira considerável as superfícies arquitetônicas, concebidas como novas interfaces que formam na cidade uma espécie de estruturas em arquipélago ou novas plataformas. A arquitetura transforma-se em link, constituindo assim hubs diversos, metáfora tecnológica das mega-estruturas de conexão no espaço urbano, cujo conjunto dá origem a uma “Urbis digital”.

Analisemos três exemplos, dos espaços de conexão sem fio, dos tags e do GPS:

A conexão local sem fio, conhecida com wifi (de wireless fidelity), permite conectar computadores portáveis e outros objetos “comunicantes” a uma rede em banda larga, dentro de um raio de normalmente vinte a cinqüenta metros de distância. Esse tipo de conexão é oferecido em zonas de grande concentração de utilizadores como edifícios de escritórios, gares, aeroportos, hotéis e, atualmente, em praças, parques e jardins. No caso dos espaços públicos, a estação de conexão (ou hotspot), ao definir superfícies de acesso à Internet, caracteriza novas formas apropriação e delimitação do espaço. A proliferação do wifi configura uma “ambiência tecnológica”, que se acrescenta à atmosfera do lugar, e define um sinônimo de “ser conectado” como condição sine qua non de existência. Influencia assim as experiências subjetivas, dentro da uma fusão do ciberespaço à cidade.

Os tags funcionam como códigos de barra localizados sobre superfícies arquitetônicas ou no espaço urbano. Seu sistema de codificação em alta densidade permite representar uma quantidade importante de informações sob forma de imagem reduzida. O acesso às informações é feito por meio do telefone celular, que direciona o código do tag – via texto/sms ou imagem/foto – a uma página web. Os tags podem assim alimentar a comunicação entre os passantes e o lugar ao mesmo tempo em que se tornam um elemento decorativo próprio à arquitetura pós-moderna. “Um símbolo antes da forma” ligado à concepção da “ambigüidade na arquitetura” de Venturi (1999), que faz do código visual uma expressão do pós-modernismo na arquitetura, uma celebração pop desse elemento como fonte de variedade que acentua a riqueza da significação.

O GPS é um sistema que indica uma posição sobre a superfície da terra com a ajuda de um aparelho que recebe as coordenadas de latitude e longitude por satélite. Sua aplicação mais comum se observa nos automóveis, onde o GPS serve para a orientação do condutor que, ao comunicar ao sistema o endereço do destino desejado, recebe em tempo real as indicações do trajeto a realizar. Experiências recentes apresentam o uso do GPS adaptado à escala do pedestre, sugerindo itinerários, informando acessos, pontos de interesse, fotos das edificações, entre outros detalhes. No entanto, esse objeto “nômade” pode condicionar nossa experiência espacial e destruir o gosto de se perder no espaço, próprio à deriva situacionista ou ainda à aventura da flânerie exaltada por Benjamin e Baudelaire. Por outro lado, o sucesso do uso do GPS responde às necessidades de conforto tecnológico próprio ao indivíduo pós-moderno. Tal modo de ler, se orientar e percorrer a cidade traria provavelmente novas diretrizes e considerações para as análises de Kevin Lynch em A imagem da cidade (1971), onde o tema da legibilidade espacial é abordado por meio de elementos visuais de orientação que ajudam a construir mapas mentais na cidade.

Arquitetura dos super-lugares

Observemos agora outra forma de experiência urbana que inclui novas práticas sócio-espaciais, mas principalmente novas estruturas da cidade. Uma denominação que nós propomos dar a tais formas de construção na cidade contemporânea seria de super-lugares, como uma acentuação dos “não-lugares” propostos por Augé. A caracterização de tais tipologias está vinculada ao prefixo “super” que indica o excessivo, extraordinário, excepcional. Nessas categorias classificaríamos os centros especializados, os fashion districts, os outlets da moda, os novos programas e arquiteturas dos centros comerciais, os espaços férreos e aeroportos que mudam consideravelmente sua natureza arquitetural e seus modos de apropriação pelas “multidões”, tribos urbanas e indivíduos nômades, formas coletivas da pós-modernidade. Trata-se de lugares dedicados à consumação, à diversão, ao turismo e à viagem, que se tornam os ícones do nosso tempo. Essas estruturas apresentam uma centralidade multifuncional e pluri-sensorial no território e, dentro de uma preocupação arquitetônica, buscam transformar a fisionomia do espaço urbano, criando novos lugares, vividos e contemplados.

A passagem do não-lugar ao super-lugar faz-se em relação à transformação de escala e do território dominado pelos espaços multifuncionais. Trata-se assim não apenas de uma alteração da terminologia, mas, sobretudo, da “essência” do lugar e da evolução de sua natureza. Tais mega-estruturas de massa marcam o território e orientam os estilos e comportamentos estéticos dos indivíduos. Basta imaginar, por exemplo, a implantação do “império” Ikea com sua arquitetura de caixa colorida, que dá origem a uma “ikea-atitude” que influencia os modos de viver e de habitar; os cinemas “multiplex” que oferecem uma diversidade de serviços; ou os aeroportos construídos para acolher vôos low cost  do tipo Ryanair que transformam a geografia urbana ao preencher e conectar antigas zonas vazias do perímetro suburbano.

Os super-lugares, com sua arquitetura imponente, massificam os espaços e criam “cidades” dentro da cidade com particularidade, como a citadela da moda, a cidade eletrônica, do design, etc. Tais plataformas são representativas da tendência atual de transformação sensível e de generalização do espaço. Suas especificidade arquitetônica se caracteriza em certos casos pela reprodução de estilos e elementos de maneira pictórica, como a cidade medieval, os muros da Roma Antiga, ou as colunas gregas. Protótipos desse gênero são vistos nos outlets da moda nas conurbações geográficas da periferia de Florença ou Roma, no Etnapolis em Catane, sinônimo do conceito de bigness de Rem Koolhaas; ou em zonas de urbanização recente, como na fronteira da Paris “intra-muros”, com o centro comercial Bercy2 realizado por Renzo Piano. Esses exemplos diversos indicam o sintoma de uma arquitetura como abrigo de esquemas funcionais repetidos e em série, que podemos identificar nas características descritas por Venturi em “Learning from Las Vegas”.

Tais exemplos associados às recentes formas de construção sócio-espaciais indicam o desenvolvimento de uma espécie de templo ou santuário onde se manifestam formas de religiosidade comunitária segundo Maffesoli, entre a mistificação da consumação e a comunhão de emoções, dimensões do nomadismo e da flânerie pós-moderna.

Considerações finais

Ao o fazermos referência aos não-lugres de Augé, observamos que eles assumem hoje um novo caractere: é a substância que muda e se nós prefiguramos sua transformação em super-lugares, é em relação a codificação de um papel social e à amplificação da funcionalidade. Os super-lugares começam a adquirir uma “história” e deixam de ser apenas lugares transitórios, de passagem. Eles passam a constituir uma prática vivida com intensidade e duração no tempo, o que exprime as vagabundagens pós-modernas e o inconsciente coletivo nesses territórios flutuantes caracterizados por Maffesoli (1999).

Os exemplos de combinação das novas tipologias arquiteturais, das dinâmicas sociais e das tecnologias digitais demonstram de que modo têm se alterado a sensibilidade do espaço e as relações de pertencimento e alteridade que construímos neles e a partir deles. A informação e a comunicação são acrescidas às infra-estruturas urbanas cotidianas, modificando suas ramificações e, de certa maneira, enriquecendo as dimensões sensoriais do espaço. Tal potência tecnológica “re-encanta” a cidade e alimenta a transfiguração do imaginário de um Atlas de geometria variável.

As práticas socio-espaciais apoiadas na informação e na comunicação, ao tomar como conteúdo um instante, um objeto ou um determinado espaço, podem proporcionar um retorno à experiência do interativo, do tátil, e mesmo à apreensão sensível do lugar. O uso de tecnologias digitais pode também contribuir para a caracterização das novas arquiteturas e re-significação dos espaços, permitindo ampliar a atualização e reativação de experiências e recordações que nutrem o imaginário.

Nossa comunicação pretendeu assim compreender a cidade contemporânea aprofundando questões em torno de dois processos recentes e interconectados: a re-interpretação dos lugares e sua componente arquitetônica simbólica e a conjunção da informação e da comunicação digitais ao espaço urbano. Por meio de exemplos de práticas de interação entre o meio digital e o espaço urbano ilustramos as considerações teóricas sobre novas formas de apreensão subjetiva e apropriações coletivas na cidade contemporânea, no que se refere ao espaço e à arquitetura como experiência sensível nos dias de hoje. Os aspectos aqui abordados representam, no fundo, uma maneira de “dizer” a cidade contemporânea, de dar uma visão e de revelar, assim, características pertinentes em sintonia com a ambiência pós-moderna, para sensibilizar o pensamento, tendo sempre um olhar atentivo sobre o cotidiano, sobre o que é e como se vive, no presente, a vitalidade urbana.

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